Nos trilhos – viajando pela Europa

NOSSAS VIAGENS DE TREM
Dos nove deslocamentos pela Europa desta viagem, fizemos sete de trem. Acreditamos ser o mais seguro e rápido. Barato mesmo, não é. Ônibus sempre aparece como a solução mais em conta, mas não confiamos muito nas paradas de ônibus (alguns param longe, no meio do nada, enfim). Escolhemos os trens nos trechos mais rápidos – nenhuma viagem noturna, portanto. Muita gente encara, mas pesquisamos um bocado e lemos vários relatos de que não dá pra dormir bem, que pode-se economizar na hospedagem – mas que o viajante chega mais pisado que mindinho do pé no carnaval de Olinda. Queria não. Já era um roteiro punkrock, um pinga-pinga disgramado, imaginem se não pudéssemos dormir.
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ESTAÇÕES PRÓXIMAS DOS CENTROS DAS CIDADES
No nosso caso, fizemos Budapeste-Bratislava-Praga e Bruxelas-Antuérpia-Bruges-Gent-Lille-Amiens. Todas as estações de trem eram dentro da cidade, próximas às áreas que queríamos ficar, ou eram estações conjugadas com as linhas de metrô ou ônibus (no caso de Gent). Em grande parte das cidades que fizemos de trem, fomos andando da estação até o hotel e vice-versa. Sim, com mala e tudo. A gente é assim. É importante identificar onde são as estações mais importantes, conferir a malha do transporte público e até escolher as hospedagens de acordo com essas localizações.

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PASSES DE TREM
Mesmo fazendo 5 países e 10 cidades em 28 dias, não valia a pena fazermos passes de trem. Sairia a bagatela de €796 por pessoa para o Eurail Global Pass (o único que atende o nosso roteiro) para o caso de grupo de 2 a 5 pessoas, que sai mais barato que o passe individual. Claro que a liberdade de ir e vir, com o upgrade pra primeira classe sempre, há de ser uma delícia em alguns casos.

Mas fazendo as contas, uma a uma, do que gastamos:
BUDAPESTE ⇒ BRATISLAVA – € 38,20 p/pessoa
BRATISLAVA ⇒ PRAGA – € 67,40 p/pessoa
BRUXELAS ⇒ ANTUÉRPIA – € 8,20 p/pessoa
ANTUÉRPIA ⇒ BRUGES – € 8,20 p/pessoa
BRUGES ⇒ GENT – € 7,40 p/pessoa
GENT ⇒ LILLE – € 15 p/pessoa
LILLE ⇒ AMIENS – € 22,20 p/pessoa
e mais cerca de €25 por pessoa pelo aéreo Praga – Bruxelas
e €9 pelo ônibus Amiens – Paris
TOTAL: € 209 p/pessoa

Né?
Mas cada caso é um caso. É sempre bom verificar de acordo com seu roteiro, porque pode valer a pena. É só fazer a pesquisa lá no www.raileurope.com.br.  Se jogue.

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APLICATIVOS MÃO NA RODA
Alguns aplicativos são bem úteis numa viagem como a nossa. Com eles, podemos fazer pesquisas comparativas entre os meios de transporte (aéreo, rodoviário ou trem – quando existem), com preços, saídas e localização/mapa das estações. Todos no Google Play e AppStore.

Não chegamos a comprar nenhuma passagem por apps (só a de ônibus de Amiens para Paris, que vamos explicar depois). Preferimos a comunicação presencial nas estações, para tirar dúvidas e não comprar gato por lebre, que é bem fácil quando você começa a lidar com idiomas mutcholocos (húngaro, eslovaco, tcheco, avalie) e traduções automáticas pro inglês mais mutcholocas ainda. Achamos melhor olhar cara a cara com o atendente nos guichês e comprar ao vivo, na hora. Em todo o roteiro conseguimos nos comunicar nas estações em inglês (preferencialmente) ou francês (quando não tinha jeito :P). Além do mais, quando a viagem é pra dentro do mesmo país (como fizemos na Bélgica e na França, por exemplo), é bem fácil comprar nos terminais automáticos, com cartão ou até dinheiro mesmo. Só apertar os botãozinho tudo lá e a passaginha sai pelo buraquinho. Uma maravilha.

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FAÇA RESERVA DE LUGAR. FAÇA SIM.
Em Budapeste, compramos nossa primeira passagem (para Bratislava). E o primeiro trem a gente nunca esquece, né? Fomos antecipadamente à estação, uns dois dias antes de embarcar, só pra comprar logo e ficar mais tranquilinhas e porque a gente gosta de passear. Pagamos pelas duas passagens 2ª classe, que vieram como ida e volta. Estranhamos, fomos lá tirar a dúvida, mas a atendente disse que era mais barato ir e voltar do que só ir. OK pra você?
Perguntamos se precisava reservar lugar, mas ela disse que não, que podia sentar em qualquer lugar. OK também? OK. Chegou o dia de viajar, e lá fomos nós. O trem chegou na plataforma, nos aproximamos, e ainda perguntei ao homizinho fardado da estação se tinha área restrita, e ele disse que não tinha problema. Qualquer lugar no vagão da 2ª classe tava limpezinha. Escolhemos uma cabine, onde cabiam seis pessoas, mas só tinha um passageiro bem quietinho. Oba, é nóis. Ajeitamos as bagagens, o trem saiu, tudo bem, o homizinho veio conferir os tickets, furou lá os cartõezinhos, e tudo certo. O passageiro quietinho ouviu a gente falar em português e disse que era mexicano, e morava em Bratislava. Descobrimos que ele tinha reservado o lugar dele, por segurança, mas que viajava sempre nesse trem, e nunca tinha tido problema. Não se preocupem, disse ele. Nunca lota, disse ele.
Aí o trem parou numa cidadezinha no meio do nada. Quatro pessoas aparecem na porta da cabine. Um deles mostra o ticket. Aponta pra minha cadeira. A gente pega as malas e sai da cabine feito duas de menor sendo varridas do filme com censura 18 anos. O trem já tava cheio, não tinha mais lugar no resto do vagão, e ficamos sambando pra lá e pra cá num Rio Doce-Piedade, parecendo os ambulantes da pipoca, cheias de mala e com cara de pastel. É palhaçada ou num é? É sim. Visto isto: FAÇA RESERVA DE LUGAR. VIU? FAÇA.
Na Bélgica e na França não há como reservar o lugar, mas também ninguém vem tomar seu assento como na dança das cadeiras. É bem tranquilo, o trem avisa as paradas que estão chegando e quanto tempo falta pra você descer. Só se prepare e desça rápido na sua vez, porque o negócio é tenso e os caras são pontuais mesmo. Cada minuto conta.

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NORMAS DE CONDUTA NA VIAGEM
Aí quando fomos de Bratislava pra Praga, a gente já tava esperta, né? Compramos com antecedência e pedimos a reserva! 😀 Tão sabidas, né? Embarcamos, procuramos o lugar (2ª classe, low budget, cês tão lembrados). Foi aí que a cabine lotou. E duas damas eslovacas ou tchecas, whatever, sentaram nas cadeiras ao nosso lado, uma de frente pra outra. E falaram. Falaram. Falaram na nossa cabeça por quatro horas e meia de maneira incompreensível e ininterrupta. Não houve um silêncio. Nunca. Teté, que adora ouvir uma conversa alheia, diz, mesmo sem entender o idioma, que garante que ali saiu até receita de lasanha. Ou era salada? Mas quem liga? Pra não dizer que a gente tá mentindo, confira no vídeo abaixo.

De qualquer forma, já que você não pode calar a boca dos outros passageiros, e não é de bom tom discutir em outra língua – embora você desconheça os palavrão tudo e talvez se ofenda menos – seja você o viajante experiente e lindão que não incomoda ninguém falando sem parar, ok? Obrigada, beijo, de nada.

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OUTROS TRUQUINHOS BACANAS
Não sei como andam os smartphones de vocês e os seus planos de dados pra viajar pro exterior. Mas nós trabalhávamos com liseu, então não pudemos contar com internet própria pra nos localizar melhor. Era tudo como a sorte mandava. E apesar de Teté ter um GPS poderoso na cabeça, que veio como opcional de fábrica, não é bom sobrecarregar a bichinha. Então, seguíamos os seguintes passos:

  1. Antes de viajar para uma nova cidade, com a internet do wi-fi do hotel, da estação de trem ou daquele Starbucks maroto, baixe no Google Maps o mapa offline daquela região, que inclua o hotel e seu local de chegada – seja estação de trem ou aeroporto;
  2. Ainda no Google Maps, faça a busca da rota entre seu local de chegada na cidade e o seu hotel/hostel/apartamento e descubra se é necessário ir de transporte público (metrô, tram, trem ou ônibus) ou se é próximo, pra ir andando (no nosso caso, como falei ali em cima, preferimos locais próximos pra andar o mínimo possível com as malas, sempre que dá);
  3. Tire prints do mapa e das orientações do caminho. Uma vista áerea da estação habilitando a camada do satélite (mostrando as ruas, construções, telhados etc) também ajuda, porque às vezes você não sabe mesmo pra que lado sair da estação/aeroporto, e a visão do entorno dá uma luz. Colocamos um print aqui embaixo só pra ilustrar, tá?
  4. No nosso caso, fizemos um grupo no whatsapp (só nós duas mesmo) pra compartilhar essas orientações importantes, porque caso a bateria de um celular morra, ainda temos o da outra;
  5. Nos trens, alguns lugares têm tomadinhas pra você carregar o celular. Não é garantia, porém. E faz favor de não esquecer o celular lá, hã?
  6. Se a bateria morrer, vai na fé. Se você não tiver nem esperança nem medo, não tem como dar errado. E se tiver escritório de turismo na estação/aeroporto, muitas vezes eles têm mapinha gratuito lá, e vão ser felizes em ajudar você;
  7. Se não tiver escritório de turismo, leve a gente. Teté sempre dá um jeito;
  8. Se não der pra levar a gente, dê um sorriso e se vire. Não vai ser a primeira vez que alguém se perde, depois se acha. Não tem desespero não, eu só quero que você se encontre.
Print da saída da Gare de Amiens – Vista do Satélite

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Tá bom? Então tá bom. Se a gente lembrar de mais alguma coisa, atualizamos.

Beeeeeeeijo

Um comentário em “Nos trilhos – viajando pela Europa

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