Budapeste, Hungria

O primeiro erro de planejamento da viagem foi começarmos por Budapeste. Como ela fica um pouco fora das rotas comuns, ou seja, não é perto de outros destinos-chaves no continente, achamos por bem chegar e ir subindo a partir dela. Por que erro, então, gatas? – perguntaria o curioso leitor do Live&Travel. Porque Budapeste é boa demais pra começar uma viagem, meu anjo – responderiam estas eventuais blogueiras de viagens. E porque só ficaríamos quatro dias pra curtir tudo que esta cidade linda, cosmopolita, educada, barata, moderna, inteligente, conservada e bonita de corpo tem a oferecer. A sensação que ficava era de que o resto da viagem ia ficar com gosto de but whyyy?* (asterisco para meme de viagem, parido em Bratislava e que explico já já, quando chegarmos lá) Por que não ficamos mais? Por quêêê? Tá bom, chega de mimimi. Vamo falar de coisa boa?

CHEGAMOS
Chegamos no Aeroporto de Budapeste depois das 22h, por conta daquele atraso maroto com que a Condor nos presenteou. Nove horas de atraso, então tínhamos de correr pra não perder o transporte público, que normalmente encerra lá pelas 23h, né? A indicação de vários blogs era que trocássemos o mínimo possível de moeda local (forint húngaro) no aeroporto, porque as taxas de lá são abusivas e havia casas de câmbio por toda a cidade com preços melhores. Assim fizemos: trocamos só 10 euros em forints (no aero, resultou em 2000 forints, o equivalente a 20 reais), o suficiente para pegarmos o ônibus 100E que passa bem em frente ao terminal, que levava à estação de trem, pra depois pegarmos o metrô. Então catamos nossas malinhas, o ônibus 100E lindão, depois o trem, e… o metrô pra chegar no hotel tinha fechado há dois minutos. Fuén. Olhamos uma pra cara da outra. Abrimos o mapa da cidade: Estação Astoria, a apenas uma estação de distância da nossa, Blaha Lujza. Eu tenho o defeito de ficar tranquila por motivos de Teté, que sempre acha o caminho. Mas apareceu um funcionário do metrô super simpático, perguntando se podia ajudar (em húngaro), e como não falamos o idioma, ele chamou um policial também simpático que disse, agora em inglês, que era pertinho, que podíamos ir a pé (era pouco mais de 1 km, creio). Perguntei se era seguro. Ele olhou estranho e devolveu com um simples “claro, não temos esse problema”. Sorrimos amarelo. Sim, temos esse problema lá onde que eu moro. Temos muito esse problema, moço. Foi mal aê.
Daí que fomos andando, puxando nossas malinhas, Teté já mudando o caminho porque – essa rua daqui vai dar lá bem ali, é mais perto e tal. E eu: a-ham, bora lá, eu acredito. Já era hora da balada noturna, então gente andava pela rua, jovens na calçada, era aniversário de alguém (além da minha parceira de viagem, que já tava no finzinho do niver) e jogaram bexigas na rua que bateram em Teté, e a gente estava mesmo comemorando. Era nossa festa também. Chegamos ao aparthotel no bairro judeu depois das 23h30, e fizemos o check-in. Deu pra cansar. Mas também deu pra sair pra um reconhecimento do entorno, ir no Istambul que tinha ali pertinho. É uma lanchonete de kebab e pratos típicos turcos com nomes impronunciáveis, preços ridiculamente baratos e porções absurdamente maiores que nossos olhos e estômagos. Nossa conta: um prato ENORME de gyros pitah, com arroz branco, pão pita, lascas de um kebab maravilhoso, sour cream, saladinha delícia por baixo, uma Heineken e um refrigerante de gengibre. Por 2000 forints. Depois passeamos pela área e achamos uma loja de conveniência com cervejas do mundo inteiro, baratinhas também, e já começamos a brincadeira de provar todas que apareciam. Teté era só alegria. Feliz aniversário, Teté.

HOSPEDAGEM
Ficamos no Agape Aparthotel (Akácfa utca 12), um condomínio perto de algumas ruínas no bairro judeu, que fica em Pest, a parte de Budapeste mais animada. Buda é mais residencial, mais chiquê e fica do outro lado do Rio Danúbio. A recepção do hotel fica no segundo andar, e como é apart, só serve mesmo pra receber e entregar as chaves do dito cujo no fim da estada. Tinha um código pra abrir a porta da rua, numa entradinha entre um bar e uma pizzaria. A localização é incrível: bem perto de estação de metrô (a tal Blaha Lujza), próximo a várias sinagogas e ruin pubs, bares instalados nas ruínas de prédios destruídos na Segunda Guerra. Tem vários desses pubs incríveis, a maioria neste bairro, que sofreu um bocado durante a guerra e a perseguição aos judeus, e isso é bem presente como memória do lugar. Mesmo com isso (ou talvez por isso mesmo, né?), a vida é uma festa ali. Todo dia é sexta-feira. Apesar da vibe eterna, o condomínio e o apartamento que alugamos (pelo hoteis.com) é muito tranquilo, silencioso, e a gente só sabia que existia vida inteligente porque os lixinhos no corredor tinham uma quantidade de garrafas vazias de vinho de fazer inveja a um ser humano intrigado com seu próprio fígado, como eu. É, eu e ele não nos damos tão bem assim. Quando chegamos, era tarde da noite, e perguntamos ao rapaz da recepção (de novo, a paranoia brasileira) se estava ok a gente sair andando por ali. Ele respondeu, calmamente – Sim, o máximo que você pode encontrar é gente louca e bêbada. Hahahahaha mental. Somos íntimas dessa gente, meu bem – pensamos, as duas, ao mesmo tempo. 😉

GASTANDO
No entorno imediato e em todo lugar: muitos, muitos caixas eletrônicos. Eles permitem saques em forints com cartões internacionais de crédito ou débito (claro, depende do seu banco e da sua conta), o que pode ser uma mão na roda num momento de desespero. A taxa é boa, mas é cobrado um extra que acaba tornando a operação um pouco cara. De qualquer forma, muitos lugares aceitam euros e os atendentes de bares, por exemplo, fazem a conversão sem muito problema. Há casas de câmbio espalhadas pela cidade inteira também, com taxas mais possíveis. A Hungria não faz parte da União Europeia, mas é bem amigável com o turista, e Budapeste está muito preparada pra receber gente. Sempre há uma comunicação espontânea em inglês (porque húngaro… né?), cardápios bilíngues, às vezes preços em euro pra facilitar também, e pessoas simpáticas em toda parte. A relação real-forint estava, numa proporção rápida, o equivalente a 1/100 (um real valia 92 forints). E tudo era realmente bem barato. Quem converte, se diverte em Budapeste. 😛

TRANSPORTE PÚBLICO
Compramos passes de 3 dias para usar o transporte urbano, pagando 4150Ft, cerca de R$45 por pessoa, pra usar quantas vezes quiser. Dá pra comprar em terminais eletrônicos na rua, próximo às estações, com cartão de crédito ou forints. A passagem simples custa cerca de 350Ft, mas precisa ficar comprando uma de cada vez. Com este abono de 3 dias, também não precisamos ficar validando a passagem, e é importante sempre estar com o passe em lugar fácil, porque os fiscais podem pedir pra ver e, se você não estiver com o seu, a multa vai de 6000 a 60000Ft. Há opções também do Budapest Card, que inclui entradas em museus, galeria e ópera, além de desconto de 10 a 20% em restaurantes. No nosso caso, não valia a pena comprarmos o Card (37€ por pessoa), porque estávamos com a grana curta pra viagem toda e não pudemos priorizar a investida em museus desta vez.

O QUE FIZEMOS
1º DIA
Saímos andando na direção da Praça dos Heróis (Hősök tere), que encabeça a Avenida Andrássy, um importante boulevard com prédios e palácios neorrenascentistas e ecléticos, como o Museu do Terror – Terror Háza, que reúne as estórias sobre os regimes de nazismo e comunismo que tomaram e oprimiram o país, a Ópera Estatal Húngara, a Praça e a Academia de Música Franz Liszt, o Oktogon – grande cruzamento formado pelo encontro da Andrássy com a Grand Boulevard (Nagykörút). A Praça dos Heróis é o coração dessa área, e há sempre uma grande concentração de turistas. Reúne as estátuas de heróis das sete tribos que fundaram a Hungria. Bateu a fome (e a sede de cerveja hehehe), e voltamos pro Café Vian, que paqueramos na ida, pertinho do Oktogon. Pedimos um goulash pra Esther (1150Ft) e um Hungarian Country Plate pra mim (2390Ft – presunto defumado, salsichas mil, queijos, tomates, pastas, radicchio e um molho maravilhoso que juramos que era de wasabi, mas não era – acompanhe pra saber. Só descobrimos no fim da viagem que era mostarda. Cervejas pra mim, limonadas pra ela. Tudo delícia. O Vian fica no meio da Praça Franz Liszt, com mesinhas ao ar livre, guarda-sóis, e mantas sobre as cadeiras pra quem quiser aconchego no friozinho. Conforto define.
Depois, refeitas e felizinhas, voltamos à Praça dos Heróis pra ver, atrás dele, o Parque da Cidade (Városliget) e o Castelo de Vajdahúnyad. Aqui, famílias húngaras relaxam, tem criança linda pra todo lado, gente vivendo no meio da natureza, dando comida pros patos do laguinho, um sonho de qualidade de vida. Como estava friozinho pra quem mora em Recife (uns 17 graus por enquanto), pedimos um vinho quente no senhorzinho da tenda ao lado do castelo, que de tão bacana perguntou de onde éramos e tentou falar até português com a gente. Coisas de Budapeste.
De lá, partimos pra Ponte das Correntes, que liga Pest a Buda e passa sobre o Danúbio. É a ponte mais antiga da cidade, protagonista de boa parte das fotos famosas de Budapeste e também leva o nome de Széchenyi, criador da ponte e sujeito bem popular por lá (tem tudo com o nome dele: termas, praça, biblioteca, estação e por aí vai). Na verdade, a ponte de hoje é uma reconstrução, porque todas as pontes foram explodidas pelos alemães na guerra.
Voltamos andando até Peste, paramos na ruazinha animada e cheia de bares, restaurantes e boates perto da Basílica de Santo Estevão, para reabastecer os organismos etílicos e provar aquela espiral de batata frita que você respeita, por cerca de 700Ft. Pausa pra tirar foto com o gordinho simpático, uma estátua pra homenagear um policial húngaro fofinho que sempre tinha um sorriso no rosto. Gentileza gera gentileza. Retornando pro hotel, não resistimos e voltamos ao Istambul, e de novo pedimos o gyros pitah do primeiro dia, porque viciou mesmo o negócio.

2º DIA
Planejar, a gente até planeja. Desde o dia anterior queríamos ir ao Castelo de Buda, mas as coisas vão acontecendo e a gente vai seguindo o fluxo. Neste dia queríamos ter ido logo de manhã, mas tava difícil acordar cedo com o jetlag, dormindo tarde pra falar com os filhos em casa com a diferença de cinco horas de fuso a menos no Brasil, saber notícias do meu velho, que estava internado (sim, meu coração viajava na minha bagagem de mão) e de Mams, em casa. Enfim, era se jogar no bungee jump da vida e aguentar o tranco. Acabou que a gente foi à estação Keleti comprar nossa passagem de trem pra Bratislava, e depois fomos parar na Praça Erzsébet, depois de ir comer um lángos, um pão frito húngaro delícia que custava 2 reais cada. Foi aí então que a gente pediu duas unidades (um com alho e outro com sour cream), e não sabia que a porção era pra quinze pessoas adultas com fome. Daí que depois de uma epopeia pra ir guardar o lángos no hotel pra não estragar, a busca pelo ônibus perfeito pra ir pro castelo, a gente circula a praça, vê uma piscina, um pessoal em volta, e dá de cara com isso:

E mais isso:

Então, pela lógica, o quê?

NÉ?
Era o Akvárium Klub, que tem boate embaixo, palco na escadaria, gente bonita de todo jeito, gênero e orientação, família, cachorro, bolha de sabão e cerveja. A piscina fica em cima do club, fazendo um efeito incrível no teto. No dia anterior tinha começado um festival de primavera, com apresentações, teatro, sempre no comecinho da tarde e esquentando pra balada noturna. Mas aproveitamos e ficamos aí logo porque, né? Depois a gente vê. Algumas horinhas e cervejinhas depois, resolvemos partir pra Buda, quem sabe voltar mais tarde… (Teté sempre tem certeza que volta mais tarde. Eu apenas sorrio carinhosa e compassivamente pra ela. O cansaço nunca deixa sobrar energia pra gente sair à noite.)
Pegamos o busão 16 pra atravessar até Buda e chegar à fortificação (tem o funicular pra subir/descer a colina também, por 1200Ft, mas estava em manutenção). Descemos do ônibus já na cidade medieval, bem tranquila, que foi construída ao redor do Castelo de Buda, o palácio que foi residência dos reis (século XII). É um complexo de atrações, como a Igreja Mathias, o Bastião dos Pescadores (uma vista absurda da cidade), o Museu da História de Budapeste e a Galeria Nacional Húngara, entre outras coisas. É beleza de fazer gosto. Além disso, nas ruas encantadoras ainda tem lojinhas, restaurantes, área residencial, invejinDIGO gente sortuda morando. Segue o mapinha da entrada pra vocês terem uma ideia (a gente achava antes que era um castelo – e só :P).

 

De lá, hotel pra descansar, porque no outro dia tínhamos planejado ir às termas, e a caminhada cansou um bocado. Cervejas na lojinha, lángos de tiragosto e cama!

3º DIA
Partiu Hősök Tere pra ir aos banhos termais de Széchenyi, um dos mais conhecidos. Filinha pra entrar. Aceita cartão ou forint, por cerca de 4900Ft (não aceita euro). Demos sorte porque não estava tão frio neste dia, fez até um solzinho, mantendo entre 18 a 20ºC (no dia anterior chegou a 13ºC). Fomos no vestiário comum (também poderia ser cabine privada, um pouquinho só mais caro) colocar os biquinis, guardar as coisas e alugar as toalhas. Você recebe uma pulseirinha digital que trava o seu locker, que funciona superbem. Tem piscina pra todo lado. Nas áreas externa (3 grandes piscinas) e interna (mais 15, creio) com temperaturas entre 18 a 40º, saunas, chuveirões. A parte boa, sendo mulher literalmente escaldada (neste caso das piscinas quentes) pelo machismo brasileiro: ninguém dá a mínima atenção a mulher de biquini. Ao corpo de ninguém. Nenhum homi de nenhuma idade com olhos arregalados para as meninas, nem mesmo para as novinhas. Não é maravilhoso? É, claro que é. Entramos em quase todas as piscinas, e como são águas cheias de minérios e qualidades terapêuticas, algumas são mais sulfurosas (portanto, com cheiros, hmmm… diferentões), mas dizem que muita gente melhora de problemas de saúde que envolvem circulação e articulações. Algumas mais quentes são mais disputadas, e você fica meio imprensado numa banheira pra não encostar em gente que você nunca viu, mas é assim mesmo. Nota: prepare-se se quiser tomar a água das torneirinhas indicadas pra beber. É mineral, pode ser limpa, curativa, o escambau, mas tem gosto de pum de ovo. Provei sim, não tenho frescura não, só tô avisando. Na saída, uma maquininha centrífuga manual ajuda a secar as roupas de banho, e tem secadores espalhados por todo canto.
De lá, fomos pro Mercado Central pra comer e fuén: já tinha fechado (era sábado, quase 18h). Como é primavera, demorava muito a anoitecer (só lá pras 21h30), então era muito fácil se perder na orientação do tempo. Ficou pra próxima… Aí, no meio do caminho, tinha uma feira. E nela havia um cheiro maravilhoso de um pão doce fermentado, que já tínhamos visto em todo canto, lojinha da estação de metrô, food truck, quiosque – e finalmente provamos o Kürtőskalács (como não lembro como fala isso e peguei abuso da pronúncia do Google Tradutor pro húngaro :|, isso ficou conhecido entre nós como aquele pão doce enrolado de Budapeste). Tem o basicão com açúcar e canela, e outros com cobertura de chocolate, nutela e mil coisas. Depois ficamos por ali pelo Parlamento e vimos os sapatos à beira do Rio Danúbio. É uma instalação de 60 sapatos de ferro fundido expostos na margem, homenageando os seiscentos mil judeus húngaros que foram mortos por seguidores do nazismo (número da Agence France Presse, acredito que seja o oficial). É lindo, mas é muito triste perceber que um absurdo desse tamanho aconteceu não faz muito tempo. E que o mundo tá muito gripado porque tem gente que acredita que causar tanto sofrimento seja solução pra alguma coisa.
Depois comemos num wok muito simpático, o Pad Thai Wok Bar, mas acabaram as baterias dos celulares, então não tem foto. Mas é esse daqui ó www.padthaiwokbar.com. Fica na Október 6, perto da Basílica de Santo Estevão, onde já tínhamos ido no dia anterior. Você escolhe tudo, se a base é noodle ou arroz, a proteína, acompanhamentos, vegetais, grãos e tudo. É bem bom.
Último capítulo do dia: CONSEGUIMOS SAIR À NOITE êêêêêêêêê. Se a gente não fosse pro Szimpla Kert, ia faltar um pedaço de alguém. Era bem pertinho do hotel, então descansamos um pouco e fomos procurar um lugarzinho bacana pra jantar, pra depois curtir o pub, que ainda estava tranquilo, aparentemente. Passamos em frente, e paramos num thai vizinho, na mesma rua. Teté pediu uma sopinha picante de camarão e ovos (1200Ft – Teté é paulistana, mas podia ser a baiana do acarajé, porque ali gosta de uma pimenta, viu?), e eu fui na suave, com frango, cogumelos, capim limão e creme de coco (950Ft). As duas bem gostosas, e cerveja pra acompanhar – sempre. Harmonizadores, lidem com isso. Foi no Kis Parazs Thai Soup & Wok Bar (Kazinczy utca, 15). Eis que, ao sair do restaurante, nos deparamos com uma fila quilométrica. O Szimpla encheu e precisamos entrar na fila com gente do mundo inteiro. Brasileiro com americana na frente, holandeses atrás, todos os idiomas e sotaques, uma bagunça boa. Não paga pra entrar no pub, só precisa passar por uma revista, então imagine a animação desse entra e sai. Conseguimos entrar, e lá dentro uma ruína brilhava, cheia de vida. Música dos anos 90/00 na chegada. Um tapa, um portal, sem tempo, sem definição de lugar. Esse é o melhor bar do mundo: decoração nonsense, penduricalhos, arte, instalações, lixo, plantas, gente feliz (nós inclusas). Uma estrutura de ferro independente das paredes da ruína dividia o espaço em vários ambientes e bares, térreo e primeiro andar, alguns dançantes, outros conversantes, outro com três caras no violino e um cello, jovens sentados no chão fumando um narguilé gigantesco e, entre os espaços, balcões enormes com mil bebidas, luminosos e drinks diferentes, limonadas, cervejas, café. E sobe escada, e olha por um ângulo novo, e tem gente em cada canto claro ou escuro. Uma vibe muito bacana, uma bomba sensorial. As pessoas não parecem usar drogas – só álcool mesmo, em quantidades profissionais. E diversão até a madrugada – lembrando que no dia seguinte, domingo, haveria uma feira de orgânicos e produtores locais, que começaria a partir das 9h. Sim, da manhã. Como ia ser essa mágica de transformar um pub lotado, molhado (choveu) e esfumaçado numa feira de orgânicos pra tomar café da manhã? Nem ideia. E o lugar, até as 3 da madruga, estava entupido com pelo menos duas mil pessoas. Fomos embora porque era nosso último dia, e queríamos guardar a melhor imagem daquilo, e não esperar pra ver o desencanto do fim da festa. Pessoas na nossa idade escolhem guardar o melhor das coisas.

4º E ÚLTIMO DIA
Szimpla no café da manhã. A mágica realmente aconteceu: produtores locais com seus temperos, queijos, pães, geleias, mel, doces, compotas, frutas e verduras orgânicos, pratos da culinária húngara e vegana. Se espalhavam em tabuleiros pelo espaço com muita simpatia, propondo degustação e a sugestão era comprar as coisas pra montar seu próprio lanche. Assim fizemos. Compramos queijos e pães fresquinhos, salames, pastas e fizemos sanduíches pra comer ali mesmo, nas mesinhas bistrô do Szimpla. Uma páprica húngara, frutinhas pra levar. Pedi um café longo no bar pra compor, uma limonada pra galega, e nos despedimos de Budapeste assim. Felizes. Mas ficou um espaço enorme nas malas, de uma saudade leve. Sem lamentar, viajar é seguir sempre em frente. Voltamos pro hotel, pegamos as malas e de lá, o metrô pra Keleti, a estação de trem pra Bratislava.

Beijo nocês tudo, até já.
Teté e Geo

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